Workshop reúne representantes do setor portuário para apresentar a experiência de São Sebastião com sistema digital pioneiro no país e discutir como a tecnologia pode ampliar a integração e a eficiência das operações logísticas.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com o Porto de São Sebastião, confirmou a realização de um workshop on-line no dia 30 de setembro para apresentar o Port Community System (PCS), plataforma digital que integra as informações dos diferentes agentes que atuam na cadeia logística portuária. O anúncio foi feito em 15 de setembro, e o encontro está previsto para começar às 15h.
O evento será aberto à participação de representantes de portos de outras regiões do país, entidades do setor e qualquer pessoa interessada no tema, com inscrições realizadas por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela organização. A proposta central é usar a experiência de São Sebastião como estudo de caso, mostrando como a implementação do sistema funcionou na prática desde o início da operação.
O fato de o Ministério ter escolhido justamente o porto do litoral norte paulista para protagonizar esse workshop nacional reforça o papel que São Sebastião passou a ocupar no debate sobre modernização portuária no Brasil. Isso porque o terminal foi o primeiro do país a colocar o PCS em funcionamento, com operação iniciada em agosto deste ano, o que o transformou em referência para outras instalações que ainda avaliam adotar a tecnologia.
Como funciona o sistema que já está em operação
O Port Community System é definido como uma plataforma digital que reúne, organiza e compartilha dados operacionais entre autoridades portuárias, órgãos públicos, operadores, terminais, empresas de navegação, transportadores e demais agentes envolvidos nas operações do porto. Em vez de cada participante da cadeia logística lidar com informações isoladas, o sistema cria um ambiente comum onde esses dados circulam de forma integrada.
Entre as informações que passam a ser centralizadas na plataforma estão dados sobre movimentação de cargas, agendamentos, exigências regulatórias, pendências documentais e indicadores gerais da operação portuária. Essa digitalização tem como efeito direto a redução do uso de documentos físicos e da dependência de controles manuais, um processo que historicamente consome tempo e gera gargalos na rotina de portos brasileiros.
Segundo dados divulgados pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), responsável pela administração do terminal, o PCS já conta com 50 empresas cadastradas como usuárias e ultrapassou a marca de mil transações realizadas apenas na fase inicial de operação. Os números indicam uma adesão relativamente rápida por parte da comunidade portuária local desde que o sistema entrou em funcionamento, ainda em agosto.
PCS e Porto Sem Papel têm funções diferentes dentro da digitalização portuária
Apesar de fazer parte do mesmo movimento de modernização digital do setor, o PCS não deve ser confundido com o Porto Sem Papel (PSP), sistema federal já existente e também desenvolvido pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Segundo a explicação divulgada junto ao anúncio do workshop, o PSP tem como foco organizar dados e documentos relacionados especificamente à atracação, operação e anuência de embarcações nos portos brasileiros.
Já o PCS atua em uma camada mais ampla, conectando informações operacionais e logísticas entre autoridades portuárias, órgãos públicos, operadores, terminais, empresas de navegação e transportadores ao longo de todo o fluxo de cargas, não apenas nas etapas ligadas à movimentação das embarcações em si. Essa diferença de escopo é justamente um dos pontos que o workshop de 30 de setembro pretende esclarecer para o público interessado no tema.
Entender essa distinção é importante porque ambos os sistemas convivem dentro da rotina digital dos portos brasileiros, cada um cumprindo uma função específica dentro do processo de modernização da logística nacional, sem que um substitua o outro.
Iniciativa amplia visibilidade da inovação tecnológica no litoral norte
Antes mesmo do anúncio do workshop, o Porto de São Sebastião já havia levado a experiência com o PCS para outros eventos do setor, como a LogVale 2026, feira de logística realizada nos dias 9 e 10 de setembro no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, onde a Companhia Docas de São Sebastião apresentou a ferramenta a empresários e representantes do setor de supply chain.
A sequência de participações em eventos técnicos e agora a realização de um workshop nacional específico sobre o tema reforça a estratégia de posicionar São Sebastião como referência em inovação portuária, algo que tende a ganhar ainda mais força à medida que outros terminais brasileiros avaliam adotar sistemas semelhantes de integração digital.
Para o município, que tem no porto um dos pilares de sua economia ao lado do turismo, esse tipo de reconhecimento nacional em tecnologia portuária representa também uma forma de atrair atenção para a infraestrutura local, em um momento em que investimentos em logística e digitalização vêm ocupando espaço crescente na pauta de desenvolvimento regional.
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