CTI Renato Archer integra iniciativa brasileira para criar acelerador de IA com arquitetura RISC-V

Redação Gazeta São Sebastião
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O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, passou a integrar um projeto voltado ao desenvolvimento de uma tecnologia nacional para acelerar aplicações de inteligência artificial. A iniciativa utiliza a arquitetura aberta RISC-V e reúne instituições públicas, universidade e empresa de tecnologia em Campinas, no interior de São Paulo.

Batizado de Nó Computacional e Acelerador de Inteligência Artificial em RISC-V, o projeto foi lançado em 13 de outubro de 2026, durante um evento realizado no Instituto Eldorado. A execução está a cargo do próprio Eldorado e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com participação do CTI Renato Archer, do MCTI e da Prefeitura de Campinas.

A participação do centro de pesquisa foi divulgada oficialmente em 20 de outubro pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer. Segundo a instituição, a proposta está relacionada ao desenvolvimento de capacidades brasileiras em computação avançada, semicondutores e inteligência artificial.

O que é a arquitetura RISC-V

RISC-V é um padrão aberto usado como base para o desenvolvimento e a personalização de processadores. Diferentemente de arquiteturas associadas a modelos comerciais proprietários, o padrão permite que instituições e empresas trabalhem na criação de soluções próprias a partir de uma especificação aberta.

Na prática, essa característica pode reduzir a dependência de tecnologias controladas por fornecedores estrangeiros, além de diminuir a exposição a royalties e licenças comerciais. O uso de uma arquitetura aberta também favorece a adaptação dos componentes às necessidades de diferentes aplicações, desde sistemas digitais até equipamentos voltados à pesquisa e à indústria.

Isso não significa que a adoção do RISC-V elimine todos os desafios tecnológicos. O desenvolvimento de um processador ou acelerador exige conhecimento especializado, infraestrutura de pesquisa, testes e integração com outros componentes. Ainda assim, a arquitetura oferece uma base para que o país amplie sua capacidade de projetar e dominar partes estratégicas da cadeia de hardware.

Por que aceleradores são importantes para a inteligência artificial

Aplicações de inteligência artificial dependem de grande capacidade de processamento para executar operações matemáticas em alta velocidade. Um acelerador é um componente desenvolvido para realizar determinados tipos de tarefas com mais eficiência do que um processador de uso geral, contribuindo para o desempenho de sistemas que precisam analisar dados e executar modelos computacionais.

Esse tipo de tecnologia pode ser relevante em áreas como serviços digitais, indústria, ciência e defesa. A criação de soluções nacionais também pode ajudar a ampliar o controle sobre os equipamentos e sistemas utilizados em setores considerados sensíveis, reduzindo vulnerabilidades associadas à dependência de produtos desenvolvidos integralmente fora do país.

No projeto apresentado em Campinas, o foco está justamente na combinação entre um nó computacional e um acelerador de inteligência artificial baseado em RISC-V. A proposta reúne o desenvolvimento de hardware e a aplicação de conhecimentos de computação avançada, aproximando pesquisa acadêmica, atuação institucional e capacidade empresarial.

Campinas concentra instituições estratégicas

A escolha de Campinas para o lançamento reforça a importância do município paulista como polo de ciência, tecnologia e inovação. A cidade abriga instituições de pesquisa, universidades e empresas que participam de projetos relacionados à transformação digital e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.

A presença do Instituto Eldorado, da Unicamp e do CTI Renato Archer cria uma frente de cooperação entre diferentes áreas. Enquanto universidades contribuem para a pesquisa e a formação de profissionais, centros tecnológicos e empresas podem atuar na transformação do conhecimento em projetos aplicáveis e soluções de engenharia.

Para o Brasil, iniciativas desse tipo se relacionam a uma agenda mais ampla de fortalecimento da indústria de semicondutores, da computação de alto desempenho e da inovação. O domínio de componentes e arquiteturas de processamento é considerado relevante para acompanhar a expansão da inteligência artificial e diminuir limitações tecnológicas no longo prazo.

Próximos passos e impacto esperado

A divulgação do projeto marca o início de uma frente de desenvolvimento tecnológico, mas as informações oficiais disponíveis não apresentam um cronograma detalhado para a conclusão do acelerador, nem especificam aplicações comerciais ou produtos finais. Por isso, o alcance da iniciativa deverá ser acompanhado conforme novas etapas, resultados técnicos e eventuais demonstrações sejam divulgados pelas instituições participantes.

O principal impacto imediato está na articulação de competências brasileiras em torno de uma arquitetura aberta. Ao envolver o CTI Renato Archer, o MCTI, a Unicamp, o Instituto Eldorado e a Prefeitura de Campinas, o projeto evidencia a tentativa de aproximar pesquisa, governo e setor produtivo em uma área considerada estratégica.

Para o público, a iniciativa representa mais do que a criação de um componente eletrônico. Ela faz parte de um esforço para desenvolver infraestrutura tecnológica própria, formar conhecimento especializado e ampliar a autonomia brasileira em ferramentas capazes de sustentar aplicações de inteligência artificial em diferentes setores da economia e dos serviços públicos.

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