Quando é hora de deixar um negócio para trás?

Emily Westvale
5 Min de leitura
Fredy da Silva Gonçalves Bento

Encerrar uma atividade empresarial, vender uma operação ou deixar de participar diretamente de sua administração são decisões que envolvem questões financeiras, profissionais e emocionais. Para Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário cuja trajetória começou no comércio de roupas e posteriormente alcançou setores como gastronomia, eventos e mobilidade elétrica, a diversidade de experiências oferece um contexto para discutir as mudanças de direção no empreendedorismo. 

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Como perceber que um negócio perdeu seu propósito?

Nem toda atividade empresarial deixa de fazer sentido porque apresenta prejuízos. Existem situações em que uma operação continua financeiramente viável, mas exige dedicação incompatível com os novos objetivos do proprietário. O crescimento de outras empresas, as mudanças familiares e o interesse por diferentes mercados podem modificar a maneira como o empreendedor distribui seu tempo. Dessa forma, manter um negócio também envolve avaliar se os esforços necessários continuam proporcionais aos benefícios financeiros e estratégicos oferecidos.

Uma avaliação importante envolve comparar os resultados obtidos com os recursos necessários para mantê-los. Um estabelecimento pode apresentar faturamento satisfatório, mas exigir acompanhamento diário intenso e oferecer possibilidades limitadas de expansão. Nesse caso, a decisão não depende exclusivamente da lucratividade, mas também das alternativas disponíveis para o empresário. Considerar o custo de oportunidade ajuda a compreender o que poderia ser desenvolvido caso parte do tempo e dos recursos fosse direcionada a outras atividades.

A trajetória de Fredy Restrito, marcada pela atuação em diferentes segmentos ao longo de mais de duas décadas, permite contextualizar essa discussão. Entretanto, diversificar atividades não significa necessariamente encerrar empreendimentos anteriores. A análise precisa considerar as características de cada operação e os objetivos estabelecidos para seu desenvolvimento. Também é importante avaliar possibilidades de reorganização administrativa, delegação de responsabilidades ou mudanças operacionais antes de decidir pela continuidade ou encerramento de um negócio.

Quando insistir deixa de ser uma boa estratégia?

A persistência costuma ser valorizada no empreendedorismo, especialmente diante das dificuldades enfrentadas nos primeiros anos. Contudo, continuar investindo em uma atividade sem perspectivas consistentes de recuperação pode ampliar perdas financeiras e comprometer recursos necessários para outras operações. Por isso, a decisão de permanecer em determinado mercado precisa considerar indicadores concretos, evitando que o desejo de superar dificuldades impeça uma avaliação realista das condições do negócio.

Um conceito importante nessa avaliação é o custo de oportunidade, que representa o benefício potencial de uma alternativa não escolhida. Se determinado negócio exige investimentos constantes e oferece retorno limitado, o empreendedor precisa considerar o que poderia realizar com o mesmo capital, tempo e capacidade administrativa. De acordo com Fredy da Silva Gonçalves Bento, essa comparação permite identificar situações em que a continuidade de uma operação pode representar a renúncia a oportunidades com perspectivas mais favoráveis.

Outro aspecto envolve a chamada falácia dos custos irrecuperáveis. Ela ocorre quando decisões futuras são influenciadas excessivamente por recursos já gastos, mesmo que esses investimentos não possam ser recuperados. Reconhecer essa situação ajuda a separar o valor emocional de uma trajetória das condições econômicas que justificam sua continuidade. Assim, avaliar os resultados esperados daqui para frente se torna mais importante do que tentar justificar decisões tomadas anteriormente.

É possível mudar de direção sem abandonar tudo?

Deixar um negócio para trás não significa obrigatoriamente fechar suas portas. Dependendo das circunstâncias, existem alternativas como vender a empresa, transferir sua administração, buscar sócios ou modificar o modelo operacional. Cada possibilidade apresenta consequências jurídicas, financeiras e administrativas que precisam ser avaliadas individualmente. Antes de escolher um caminho, é importante considerar a situação patrimonial, os compromissos existentes e a capacidade de manter as atividades durante uma eventual transição.

A experiência empresarial de Fredy da Silva Gonçalves Bento inclui atividades com características bastante distintas, como os restaurantes Capitães e Hina e a produção de eventos por meio da Eventos Litoral. Esses segmentos ajudam a ilustrar como diferentes modelos exigem formas específicas de gestão, disponibilidade de recursos e acompanhamento operacional. Enquanto estabelecimentos gastronômicos dependem de uma rotina contínua de atendimento e controle de insumos, a produção de eventos envolve planejamento por projetos e coordenação de serviços em períodos determinados.

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