Paulo Roberto Gomes Fernandes salienta que a expansão das malhas de dutos na América do Sul exige uma discussão mais profunda sobre risco ambiental, geotecnia e segurança operacional. Em uma região marcada por encostas instáveis, travessias fluviais complexas, variações climáticas intensas e diferentes padrões de ocupação territorial, a infraestrutura dutoviária precisa ser pensada com critérios técnicos que levem em conta as particularidades de cada país e de cada traçado.
A ampliação do interesse de entidades internacionais por esse tema mostra que o debate deixou de ser periférico. O foco já não está apenas na construção de novas linhas, mas também na capacidade de prever vulnerabilidades, orientar boas práticas e reduzir a exposição a eventos que possam comprometer a integridade dos sistemas. Quando a gestão de risco ambiental entra de vez na agenda técnica, o setor passa a operar com uma visão mais madura sobre prevenção e continuidade.
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Uma região diversa pede critérios mais específicos
A América do Sul não pode ser tratada como um bloco homogêneo quando o assunto é infraestrutura de dutos. Há áreas sujeitas a erosão, faixas com risco de deslizamento, zonas de travessia hídrica delicada e terrenos cujo comportamento geológico muda de forma expressiva ao longo de pequenas distâncias. Isso significa que soluções genéricas, importadas sem adaptação, tendem a ser insuficientes para responder às exigências reais da operação.
Sob esse ângulo, Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que a segurança de uma linha depende tanto da qualidade do projeto quanto da leitura correta do território. Um duto pode estar bem dimensionado do ponto de vista estrutural e, ainda assim, se tornar vulnerável se o contexto geotécnico não for compreendido com precisão.
Práticas recomendáveis ajudam a reduzir improvisos
Quando instituições técnicas passam a reunir especialistas para formular práticas recomendáveis, o setor ganha algo muito valioso: referência. Em vez de lidar com cada desafio de forma isolada, empresas, operadores e projetistas passam a contar com parâmetros mais claros para tratar eventos como instabilidade de solo, cruzamentos de rios, movimentos de massa e outras adversidades que afetam o desempenho da infraestrutura.

Na perspectiva de Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse esforço é importante porque reduz improvisos e fortalece a governança técnica dos empreendimentos. Quanto mais consistente for a base de orientação, maior tende a ser a capacidade de antecipar falhas, organizar monitoramento e definir respostas proporcionais ao risco de cada trecho.
Geotecnia e meio ambiente deixaram de ser temas secundários
Durante muitos anos, grande parte da atenção sobre dutos se concentrou em materiais, soldagem, pressão interna e integridade do tubo. Esses fatores continuam essenciais, mas a experiência acumulada mostrou que o ambiente externo pode ser igualmente decisivo. Deslizamentos, erosão, deformações do terreno e mudanças no regime hídrico têm potencial para comprometer a segurança de uma linha, mesmo quando a estrutura metálica apresenta bom desempenho.
Com base nessa mudança de percepção, Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a geotecnia passou a ocupar posição mais estratégica na engenharia dutoviária. O setor começou a entender com mais clareza que a segurança não se esgota na tubulação em si, mas depende da interação entre o ativo e o território.
O Brasil pode transformar demanda em avanço técnico
No caso brasileiro, o tema ganha importância adicional por causa da necessidade de ampliar infraestrutura energética em um território vasto e diverso. A expansão de redes, o aumento da produção e a demanda por maior eficiência logística tendem a pressionar a engenharia nacional a operar com métodos mais sofisticados de prevenção, monitoramento e tomada de decisão.
Ao tratar desse quadro, Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que o Brasil tem condições de transformar essa pressão em desenvolvimento metodológico. A combinação entre universidades, instituições técnicas, mercado de energia e necessidade concreta de obras pode fortalecer uma cultura mais avançada de gestão de risco em dutos. Quando normas, geotecnia e planejamento ambiental passam a dialogar de forma mais estreita, o resultado tende a ser uma infraestrutura mais segura, mais previsível e mais preparada para as exigências da América do Sul.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
