Rastreabilidade de materiais na construção: o método que evita retrabalho e protege o cronograma?

William Carter
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Valderci Malagosini Machado mostra como a rastreabilidade de materiais evita retrabalho e protege o cronograma da construção.

Como aponta o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, é importante definir rastreamento e controle de lotes como uma forma de “dar visibilidade” ao que, na obra, costuma virar mistério: de onde veio o material, qual era o desempenho esperado e onde ele foi aplicado. Em sistemas racionalizados, essa visibilidade é o que separa previsibilidade de improviso. Se a sua meta é reduzir retrabalho e evitar que uma não conformidade se espalhe pelo canteiro, prossiga na leitura.

O risco que não aparece na nota fiscal: Variabilidade sem registro

Uma obra pode receber materiais corretos em aparência e ainda assim carregar risco técnico. Isso acontece quando lotes diferentes são misturados sem identificação, ou quando o histórico de ensaios não está vinculado ao que efetivamente chegou. À vista disso, a variabilidade entra como ruído: resistência oscilando, absorção variando, dimensão mudando em pequenas faixas. Como resultado, o canteiro perde capacidade de prever consumo, ritmo e acabamento.

Do ponto de vista do Engenheiro Valderci Malagosini Machado, o problema não é apenas o lote ruim. É um lote ruim sem nome. Sem rastreio, a obra não sabe onde está o desvio, nem consegue isolar o trecho comprometido, e o custo de correção cresce porque tudo vira suspeito.

Controle de lotes como ferramenta de governança de qualidade

Controle de lotes transforma entrega em evidência. Quando cada remessa chega com identificação clara, registro de recebimento e vínculo com laudos e ensaios, a obra passa a operar com critérios objetivos. Dessa forma, o canteiro consegue comparar entregas, detectar mudança de padrão e agir antes de aplicar material fora de especificação.

Para o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, essa governança reduz risco por um motivo simples: ela diminui a chance de decisões tardias. Quando um desvio é identificado cedo, a obra ainda tem margem de correção. Quando o desvio é percebido depois, ele já virou parede assentada, piso concluído e interface pronta, e a correção passa a competir com o cronograma.

Dimensão, absorção e desempenho em serviço

Em blocos e pavers, a dimensão tem impacto direto no assentamento. Se um lote chega com variação acima do padrão, as juntas começam a “absorver” o desvio, o consumo aumenta e o alinhamento perde estabilidade. Em pisos intertravados, variações de espessura e esquadro se convertem em acomodação desigual, desgaste localizado e diferença de leitura visual.

Entenda com Valderci Malagosini Machado por que a rastreabilidade é um método essencial para garantir eficiência e cumprimento de prazos na obra.
Entenda com Valderci Malagosini Machado por que a rastreabilidade é um método essencial para garantir eficiência e cumprimento de prazos na obra.

Já a absorção costuma aparecer em outro momento. Um lote mais absorvente pode apresentar manchas recorrentes e eflorescência em condições de umidade, criando um problema que não parecia existir no recebimento. Por conseguinte, rastrear lotes é também rastrear comportamento: quando a obra sabe qual lote foi aplicado em cada área, ela consegue correlacionar manifestações com origem e evitar repetição do mesmo erro em novos trechos.

Rastreabilidade e responsabilidade: Decisão técnica sem ruído

Quando surge uma não conformidade, o que mais atrasa é a falta de clareza. Sem rastreamento, cada parte atribui o problema a uma causa diferente: execução, armazenamento, transporte, fabricação. Com rastreabilidade, a discussão muda de natureza, porque o canteiro consegue apontar lote, data, local de aplicação e condição de recebimento. Assim sendo, a decisão se torna mais técnica e menos interpretativa.

Na perspectiva do Engenheiro Valderci Malagosini Machado, rastrear não é burocracia, é proteção. O registro evita que a obra trate sintomas como causas, preservando o método construtivo e reduzindo o risco de correções genéricas, que gastam tempo e não resolvem o problema de origem.

Mistura de lotes: O erro que apaga a capacidade de agir

O ponto mais crítico é a mistura de lotes no estoque e na aplicação. Quando isso acontece, a obra perde o mapa e, junto com ele, perde a chance de atuar com precisão. A correção, então, vira tentativa: seleciona-se a peça “na mão”, ajusta-se junta, troca-se material ao acaso. Como resultado, o canteiro aumenta as perdas e reduz produtividade, transformando um desvio controlável em uma instabilidade contínua.

Lote controlado é risco localizado

Pode-se concluir que rastreamento e controle de lotes protegem a obra porque reduzem variabilidade sem registro, sustentam decisões por evidência e permitem isolar não conformidades antes que virem retrabalho em larga escala. Como sustenta o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, quando o canteiro sabe o que recebeu e onde aplicou, o risco deixa de ser difuso e passa a ser controlável, preservando prazo, qualidade e desempenho.

Autor: William Carter

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